a vida presta
stop síndrome da impostora 2025
ano novo, vida nova? não é pra tanto. feliz 2025, voltamos! e como todo comecinho de ano, andei pensando na mudança que quero ver no mundo. bom, infelizmente eu não consigo sozinha conter o avanço da extrema direita na política mundial, nem diminuir a desigualdade social, tampouco parar a catástrofe climática…. mas eu quero confiar mais em mim mesma e na vida. só isso. o que já é muita coisa.
na semana que passou tivemos a vitória da diva Fernanda Torres no Golden Globes. e isso é tão legal para o Brasil em tantos níveis. mas sempre me chamou atenção como ela tava fazendo muitas declarações antes e depois do evento, falando como uma brasileira não teria a menor chance em uma premiação como essa…de como premiaram um cachorro falando português. (?)
claro que tem toda uma cultura imperialista envolvida nessas premiações que não falam exatamente sobre a performance incrível que ela teve em Ainda Estou Aqui (2024)… mas acho que isso também meio que mostra como precisa ficar no passado esse sentimento de insuficiência que a gente tem. a gente = sim, quero pressupor que todo mundo se sente not good enough de vez em quando. até pessoas extremamente talentosas, que fazem coisas incríveis e importantes, como a Fernanda Torres.
o discurso da Demi Moore no Golden Globes foi mais um lacre nesse aspecto [e em outros também]. pra quem não viu, ela fala sobre como nunca sentiu que poderia ganhar um prêmio como esse, e como um homem qualquer da indústria cinematográfica falou que ela sempre seria uma atriz de filmes de assistir comendo pipoca. e a diva caiu no ostracismo, e de repente foi lá e topou estrelar um roteiro controverso e chocante e entregou uma das melhores performances do ano, agora winner, em um dos filmes mais viscerais para meninas e gays dos últimos tempos, A Substância (2024).
há muitos anos se popularizou o termo síndrome do impostor. aquele sentimento de: me deram uma responsabilidade que eu não vou bancar, e eles vão descobrir que secretamente sou uma farsa. assunto old. e isso virou tema de muitas postagens no Instagram de auto-ajuda em fundo pastel. por anos e anos, até saturou. mas ainda estamos aqui.
e isso é bem nada a ver em muitos níveis. primeiro: a vida não é uma sequência de sucessos. não somos robôs sendo constantemente atualizados para entregar uma performance cada vez mais otimizada.
talvez a gente possa também olhar de forma menos crítica, de vez em quando, para toda a nossa trajetória. nem todo mundo têm as mesmas oportunidades, e muitas vezes é tudo sobre sorte, network, etc. passamos por diferentes fases, e enfim, a gente faz o que pode. e isso presta!
e isso leva a outra afirmativa chocante que muda vidas: é normal errar. ninguém vai morrer! a menos que o erro seja apertar o botão errado que destrói o universo para sempre. yotra: a gente precisa ver nos erros uma oportunidade de aprendizado, e não como a surpreendente (!) constatação do nosso fracasso.
ou a gente vai apenas entrar nessa de coitadice crônica? o que pode ser um caminho confortável também. muitas vezes é mais confortável ficar nessa zona de desconforto. porque é o que a gente conhece, tem como única referência possível [desconhecer, urgente].
muitas vezes eu fico meio paralisada pra fazer qualquer coisa, por medo de dar certo! eu percebi isso lendo esse texto da minha vizinha de newsletter, Um Passo. para as coisas darem certo a gente precisa inicialmente querer, mas desejar algo nos coloca nesse lugar do pode dar certo ou dar errado [e o que é dar certo de verdade?]. então muitas vezes é mais fácil só adotar uma atitude blasé em relação aos nossos desejos. mas isso é apenas viver com o medo operando em segundo plano, o tempo inteiro.
tudo parece meio complicado. mas é basicamente: a gente não precisa viver tão difícil. vamos apenas lidar com as coisas de forma ok, já que o mundo já é repleto de sofrimento sem a nossa iniciativa em performar mais ainda. falo isso de uma maneira positiva, juro. vamos apenas lidar com desejos, erros e acertos, aprendizados, e qualquer coisa…começar de novo, acreditando que pode dar bom.
e por fim, é bom lembrar que coisas boas acontecem! o tempo todo. mas se a gente tá muuuito ocupado pensando nas coisas que não são exatamente como a gente quer, o tempo passa. e quando a gente vai realmente olhar pra trás, as coisas aconteceram e a gente nem comemorou de fato, morrendo de ansiedade com o futuro. acontece que tutto passa.
bom, eu confiei que poderia escrever esse texto, e tá feito. pode não mudar vidas, mas se eu fosse operar nessa lógica não sairia uma palavra. e posso falar: é meio bom sair dessa neurose obsessiva contemporânea e apenas fazer o que dá vontade, do jeito que dá, sem morrer de medo (de dar certo).




