vamos sentindo
cada escolha uma tormenta
começando este texto já sabendo que será o último do ano. afinal, eu tenho muita coisa pra fazer antes do recesso começar…e quem não tem? apesar do burnout com a vida e com tudo estou um pouco mais contente desde que adotei um novo mindset: estou reclamando menos de todas as coisas que eu tenho pra fazer, até porque fui eu mesma quem escolheu fazer todas essas coisas! isso mesmo, descobri que sou completamente responsável pela minha própria vida.
todo mundo quer ter uma vida interessante, com muitos projetos, hobbies legais, social life agitada, boa performance no trabalho, atividade física no mínimo três vezes na semana, acompanhando a série do momento, indo a exposições de arte, cinema, festas, etc….mas é claro que tudo isso envolve ter que simplesmente dar conta de tudo isso. e é claro que é impossível fazer tudo isso direito. algo vai ficar de fora, ou vai ficar mal feito. e é isso que a gente precisa lidar, com o que escolhemos priorizar, e suas consequências.
eu acredito que existe uma força maligna que me impede dar prioridade às coisas mais chatas e burocráticas da minha lista de tarefas. ou talvez seja só imaturidade e vontade de me divertir e fazer só o que gosto. justo? mas essas atividades tem ganhos secundários importantes. afinal, somos adultos, e mesmo que formulários e contratos sejam bem menos interessantes e atrativos do que jogar videogame, eles são necessários pra se ter uma vida funcional — quem poderia imaginar?
e me pega muito que viver é estar dentro de uma rede complexa de acontecimentos que coexistem. e muitas vezes a nossa linha de pensamento força uma linearidade onde não há. não dá pra só levar uma coisa de cada vez. a gente vive com todas as crises em todo lugar, tudo ao mesmo tempo! são altos e baixos, só que simultaneamente. até o fim dos nossos dias.
tá, e o que resta fazer diante de uma realidade tão miserável fadada a tanto sofrimento inerente a nossa breve existência? não fazer disso um grande mousse. só tentar viver bem apesar das coisas chatas que temos pra fazer. e quase sempre procuro optar por algo que seja pelo bem da minha saúde — especialmente a mental. legal, né?
nós que somos um pouco people pleaser [viciados em agradar os outros] podemos sofrer ainda mais quando nos deixamos levar pelas preferências das outras pessoas. o que é também um jeito de terceirizar responsabilidades…bom, não tem nada de tão ruim em se preocupar com o bem-estar social, mas às vezes tem sim. e portanto, é um constante procurar impor limites nas dinâmicas das relações e até se retirar de situações nada a ver. é meio que se priorizar, o que me parece sempre uma boa escolha.
outro dilema que me faz mal é ter opções demais. a psicologia já nomeou esse mal estar de paradoxo da escolha. ter muitas possibilidades sempre acaba fazendo com que a gente se sinta infeliz com a alternativa escolhida. isso porque parece que sempre tem uma opção que teria sido melhor…arrependimentos mil relacionados a meros cenários imaginários. é tipo um fomo. e não ironicamente também apelidaram esse sentimento de fobo — fear of a better option. tudo o que a gente precisava é de mais um medo em siglas!
e até o nosso estilo de vida neoliberal piorou esse sentimento. basta abrir o aplicativo de delivery e passar mal com tantas opções do que pedir. ligar a tv e sofrer diante de listas infinitas do que assistir no streaming. até pra comprar uma xícara de café são tantos modelos, materiais, cores. é claro que a cultura do consumo vai inventar novos jeitos para acumularmos sempre mais. pra que escolher um se você pode consumir todos? só que vamos falar a verdade: essas decisões nem são tão importantes assim. ninguém vai morrer se você pedir sushi ao invés de pizza ou assistir um episódio de pluribus e não i love la. na verdade, assistir i love la seria a melhor escolha nesse caso.
toda essa noia diante de decisões, principalmente as de baixo risco, é um grande not big deal. o conceito de escolha certa ou errada nem deveria existir. inclusive, li em algum lugar (não vi no tiktok) que a nossa capacidade de tomada de decisões está completamente relacionada com as emoções! explicando: o córtex pré-frontal é a área responsável pelas nossas escolhas, e fica bem longe das áreas relacionadas a inteligência em geral. portanto, não tem nada de racional em escolher o que é realmente prioridade pra nós. então pra que racionalizar tanto?
tomar decisões de alto impacto precisa sim de um pouquinho de atenção, porque essas escolhas vão influenciar o nosso futuro. não do jeito que a gente pensa, mas vão. dito isso, a gente pode e deve seguir em frente diante das nossas escolhas. e não retornar nesse pensamento de forma obsessiva. sequer dá pra mudar a realidade com a força da nossa mente, então porque se deixar atormentar? o que será, será.
já diria algum filósofo ou escritor que eu estava lendo outro dia e não me lembro direito, mas era algo como: só existe a vida que estamos vivendo. essa outra vida que imaginamos não é nossa. so girl, move on.
por hora, escolhi não procurar mais por opções melhores de imagens pra colocar nessa news. só senti que temos. diante disso, o que vem por aí? não dá pra saber, vamos sentindo.






